Histórico de Tomazina PR
CONTEXTO SOCIAL DE TOMAZINA
Luciano Arantes Sanches1
Este tema trata da colonização regional e municipal. O pesquisador pretendeu condensar uma explicação histórica cujo problema básico constituísse a articulação entre ocupação do território, sua colonização e seu processo educacional. E, ao se referir aos deslocamentos de populações, procura evidenciar como essa história revela uma história social, comportamentos, padrões de relações sociais, momentos de crise e fenômenos culturais.
1.1 A Origem da População Tomasinense
O Major Thomaz Pereira da Silva adquiriu por compra de Domiciano Corrêa Machado, em 1865, duas posses de terras, Boa Vista, na margem direita do rio das Cinzas e a outra posse no rio Laranjinha, compraram na mesma ocasião de sociedade com Elias Ribeiro do Valle, Antonio Rodrigues Pulgas e Manoel de Souza Guerra, de Joaquim de Azevedo, as posses Ribeirão Grande, situadas na margem esquerda do mesmo rio, motivos esses que foram levados pela:
[...] decadência da mineração dos diamantes, que é mais ou menos paralela a do ouro, tem também causas semelhantes. Veio agravá-la um fator: a depreciação das pedras, devidos ao seu grande afluxo no mercado europeu. O governo português tentou impedir a queda dos preços restringindo a produção e a venda; mas seus crônicos apertos financeiros obrigavam-no freqüentemente a abrir mãos das restrições e lançar inoportunamente no mercado grandes quantidades de pedra. O seu valor veio assim, de que em queda, até princípios do século XIX. (PRADO, 1994, p. 63)
Em novembro de 1867, período em que o Brasil se encontrava em “plena guerra contra os paraguaios, que perdurou de 1864-1869” (CARNEIRO, 1995, p. 18) o Major Thomaz transferiu sua residência da comarca de Itajubá, sudoeste de Minas Gerais, próximo da divisa com o estado de São Paulo e Rio de Janeiro, que se encontrava numa altitude de 856 metros, sendo distanciada da capital Belo Horizonte por aproximadamente 433 Km, para o sertão do Rio das Cinzas, norte do Paraná. Procurava desse modo colocar sua numerosa família, dentro de uma grande área de terras onde todos pudessem prosperar e viver folgadamente, desfrutando de exuberantes terras-massapé, e de um grande potencial hidrográfico.
Organizando na segunda quinzena daquele mês uma comitiva, que foi composta por sua família, que era servida por um expressivo número de escravos, pois embora o processo de alforria estivesse tramitando pelo Novo Mundo, ainda está longe de chegar ao Brasil, além dos escravos trouxe agregados e seu sogro Francisco de Paula Ribeiro da Silva, juntaram-se outras comitivas dos filhos e genros: José Thomaz Pereira da Silva, Albano Pereira Sobrinho, Enoch Ribeiro do Valle, Candido Antonio Pereira e Manoel Carvalho Duarte; sobrinhos: Elias Ribeiro do Valle, José Ribeiro do Valle, Antonio Rodrigues Pulgas, Manoel de Sousa Guerra, José Vieira da Fonseca e Joaquim Pinto da Silva, primeiro sogro do Major que vinha para Ribeirão Novo onde havia comprado terras. Assim, como que fazendo um cordão, as comitivas partiram do sudoeste de Minas, algumas mais distanciadas, à frente, outras mais retardadas, porém todas prosseguindo para o mesmo destino.
No trajeto que fizeram, passaram por:
Pouso Alegre, Ouro Fino ainda no Estado de Minas Gerais, e rumaram para o Estado de São Paulo onde transpuseram os limites dos municípios de Itapira, Mogy-mirim, Amparo, Campinas, Itu, Sorocaba, Itapetininga, e Itaporanga último município, paulista que faz limite com território paranaense. (PARANÁ, 1928, p.
Logo após transpor os limites do rio Itararé avistaram o solo paranaense. Daí por diante os caminhos, se tornam mais belos e dificultosos pela densa floresta, onde era necessária a abertura de picadas realizadas pelos escravos e agregados sobre densas matas, onde encontravam também grande dificuldade de comunicação, pois os moradores residiam bastante distante uns dos outros, até alcançar as terras sonhadas nas margens do rio das Cinzas, quando já tinham percorrido aproximadamente mais de 700 Km, em aproximados 36 dias, percorreram em média 20 km por dia, enfim é complementada a jornada, as comitivas fizeram ponto em dezembro, véspera do Natal daquele ano, comemorando o nascimento do menino Jesus, e a possibilidade do nascimento de uma nova vida.
Estava então em pleno sertão, terras até então resididas somente por populações itinerantes, sendo, na maioria, composta por:
Refugiados que cometeram algum delito na rota Viamão-Sorocaba, mas estes não chegavam a compor um número expressivo, pois suas residências não eram fixas, pois não podemos esquecer que eram refugiados, sendo assim tinham que se mudar com grande freqüência, (WACHOWICZ, 1987, p. 98)
Além dessa dificuldade tinham outras sendo que as florestas pareciam não ter fim e a dificuldade de comunicação era muito grande, só podia ser realizada pelo mesmo caminho que se vinha, onde está situada hoje Tomazina.
As áreas cultivadas se encontravam às margens do rio das Cinzas, tendo aproximadamente uns 20 alqueires e tendo como residentes naquele local: Narcizo Alves Marinho, Manoel Muzillo, José Francisco, Jose Dias e Antonio Pompeu; tendo nesse ponto um porto com canoas para o trânsito de passageiro.
O Major Thomaz passou ali dois anos até poder levantar morada mais no centro da fazenda, aonde veio a fixar residência definitiva, tendo feito o mesmo seus filhos e genros que se colocaram em outros pontos da fazenda. Elias Ribeiro, cunhado do major, juntamente com outros parentes, colocaram-se no Ribeirão, e Joaquim Pinto da Silveira com os seus filhos no Ribeirão Novo. (PARANÁ, 1928, p. 9).
Colocados todos e mantendo as mesmas relações no sul de Minas, o rio das Cinzas tornou-se mais conhecido ali como zona de ótimas terras e assim foi atraindo mais a imigração de mineiros e de outras procedências que ali se encaminharam fazendo crescer mais a população do norte do Estado.
Um ano depois que o major Thomaz e outros chegaram no território denominado hoje Tomazina, chegou também o senhor, Albano Pereira da Silva, irmão de Francisco Luiz Ribeiro do Valle, Carlos José Ribeiro do Valle, Francisco Pereira do Cato e José Fernandes de Lima. Em 1878, já tendo prosperada a população, o major Thomaz e sua esposa fizeram doação de uma porção de terra para o patrimônio, sob a invocação de N. S. da Conceição Aparecida, homenagem à santa que foi encontrada pelos pescadores às margens do rio Paraíba do Sul, local denominado porto de Itaguaçu – São Paulo.
Tomazina foi elevada à Vila pela Lei nº 923, de 06 de setembro de 1888, ano em que ocorreu a abolição da escravatura e pela Lei nº 322, de 13 de maio de 1888, ano em que foi introduzido o sistema republicano no país, Tomazina é elevada à categoria de Município.
A instalação do Município deu-se a 07 de janeiro de 1890, ocasião em que foram empossados os membros da 1ª Câmara de vereadores.
Foram eles: Elias Xavier da Silva, José Albano Pereira, Tenente João José Ribeiro, Capitão Cândido Antonio Pereira e tendo como prefeito o Major Thomaz Pereira da Silva, após ter sido Presidente da Câmara Municipal, tendo como Presidente de Estado o senhor Inocêncio Serzedeio Correia, nascido em Belém, no Pará.
Mesmo após a emancipação política Tomazina ainda ficou judicialmente subordinada à comarca de São José da Boa Vista até 13 de maio de 1913, cidade esta que já foi capital do Estado.
De acordo com (CORREIA, 1928, p. 12) a cidade de Tomazina se tornou comarca no dia 13 de maio de 1913, onde teve como primeiro juiz de Direito, o Doutor Tácito Correa.
Na época de sua instalação o município de Tomazina possuía uma área de 6.000 Km2, mas devido o progresso e evolução da região Norte Paranaense, por conseqüência da cultura do Café que se expandia muito rápido, o território sofreu numerosos desmembramentos, ficando a área reduzida em apenas 565 Km2.
No curso de sua história foram desmembrados de Tomazina, os seguintes municípios: Jacarezinho em 1900, tendo como Presidente do Estado, o paranaense José Pereira dos Santos Andrade, auxiliado pelo Presidente da República “o paulista Campos Sales,” (LACOMBE,1989, p. 2) a primeira tentativa de municipalização ocorreu por volta de 1898, sendo que nesta localidade o desenvolvimento agrícola prosperou com grande velocidade, sua habitação foi composta por fluminenses, paulistas e mineiros, povos que tinham vastas experiências no cultivo do café, no inicio do século XX a cultura de maior destaque era o café. “Mas com a queda de preços do café no mercado internacional decorrente da quebra da bolsa de valoresem Nova York no ano de 1929”, (JORNAL DO COMMERCIO, 1929, p. 1)
Com todas as transformações essa localidade foi emancipada através da lei nº 522, de 02 de abril de 1900, recebeu inicialmente o nome de Nova Alcântara. Em 03 de março de 1903, através da Lei nº 471, recebeu o nome de Jacarezinho. Após seu desmembramento perdeu uma parcela de seu território no dia 31 de março de 1914, que através da lei 1.424 surge o município de Santo Antonio da Platina, composto de uma espécie de solo que só é encontrado em poucos lugares do planeta, solo que veio a receber o nome de terra roxa pelos imigrantes italianos.
Duas décadas posteriores ao desmembramento de Jacarezinho é chegado a fez, Distrito de Penápolis, atual município de Siqueira Campos, neste período o Paraná tinha como representante do poder executivo o governador Caetano Munhoz da Rocha, e como presidente da República o Paraibano Epitácio Pessoa.
No ano de 1934, quando estava como interventor o paranaense Manoel Ribas sobre o comando do “Presidente da República o gaúcho de São Borja o personagem marcante do populismo Getúlio Vargas” (LACOMBE & CALMON, 1989, p. 4), ocorre a emancipação política de Brazópolis atual município de Wenceslau Braz.
No dia 10 de outubro de 1947 foi desmembrado o Distrito de Barra Bonita, hoje município de Ibaiti, neste período o município de Tomazina tinha como prefeito Benedito Correia Machado, o governador interventor Antonio de Carvalho Chaves e o “Presidente da República Federativa o mato-grossense Eurico Gaspar Dutra, que construiu a rodovia mais movimentada do Brasil, ligando Rio-São Paulo”. (LACOMBE & CALMON, 1989, p. 4)
Os últimos processos de desmembramentos ocorreram na década de 1950 quando Tomazina era administrada pelos Prefeitos Benedito Correa Machado e Antonio Batista do Nascimento, foram desmembrados: Pinhalão no dia 14 de novembro de 1951, Japira, em 14 de dezembro de 1951.
Após tantas transformações hoje o município de Tomazina se encontra limitando-se com Quatiguá ao norte, Arapoti ao sul, Siqueira Campos a leste, Jaboti a oeste, Wenceslau Braz ao sudeste, Pinhalão ao sudoeste, Conselheiro Mairink e Quapirama ao noroeste.
O município foi dividido em 24 partes, veja a ilustração a seguir:
O DESMEMBRAMENTO DO MUNICIPIO DE TOMAZINA




